Sede de mudança.

Ela então olhou em seu relógio era ínicio da noite, desceu rapidamente os degraus de sua casa e foi até a cozinha pegar algo para beber, saiu em direção a porta de entrada da casa e caminhou para fora do portão. Sentou-se na calçada da rua deserta, em mais uma noite de calor. Entediava-se com a falta de movimento naquela rua.
Tomava seu refrigerante de limão – fingindo para si mesma ser bebida alcoólica-, um, dois, três goles. E a agonia crescia.
Foi quando percebeu uma luz refletindo a rua de asfalto, olhou para o alto e viu o que jamais seus olhos haviam visto de tão belo antes, o nascer da lua cheia. A garota parecia uma criança que acabará de entrar em uma loja de doces pela primeira vez; pois havia um sorriso encantador em seus lábios e seus olhos brilhavam, demais. Na verdade ela não entendia muito sua reação diante de um simples início da noite, ou, até aquele momento considerado simples por ela.
Ela sempre foi de não importar-se muito com pequenos acontecimentos da natureza, tão banais os achava. Pensando que assim, estaria sendo superior a quem se deslumbra com isto.
E agora, o destino lhe prega uma peça das boas, bem a frente de sua casa em mais uma noite que parecia-lhe ser normal em que ela afogava-se em seu tédio rotineiro, com um copo de refrigerante em mãos. Fazendo-a notar que algo dentro dela exige mudança há algo de novo em seu eu. Há um alguém desconhecido dentro de si com sede de descobertas simples e tão reais, que está sentado na calçada da rua deserta.

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