Eu olhei para trás e o avistei tão belo como sempre foi, fez-me suspirar ao sentir sua presença, sempre intensa para mim. Olhei disfarçadamente para ele e ele, sorria. Mas, eu sabia que não era para mim. Eu tinha os pés no chão, depois de tanto machucar-me em cair do vôo em sonho.
Eu não sentia mais a poesia, mas eu sentia o frio na barriga. Tentava esquivar-me dele racionalmente, mas, meu coração entregava-me.
Eu suspirava com sua presença, sentia o frio percorrer meu corpo, o arrepio ao vê-lo tão perto, mas racionalmente agindo tentava esquivar-me de toda a poesia que embalava aquele amor, ou desamor. Não sei.
Os versos que escrevia e todas as canções que fiz com pensamentos voltados para o amor, eu já havia queimado. E não queria mais sentir, nem amar. Mas quem disse que eu, mera mortal, tinha tamanho poder sobre um sentimento abstrato, mas tão forte? É claro que eu não tinha! E era por este motivo que sentia todas as emoções ao vê-lo ali, parado, tão lindo, sorrindo para o horizonte – ou para mim- tão encantadoramente.
Seu sorriso era perturbador, ficava em minha mente e à noite deitada antes de dormir, vinha esta imagem em minha mente. Às vezes – muitas vezes- seu sorriso era protagonista dos meus sonhos, e eu sonhava sorrindo também como se eu estivesse retribuindo aquele gesto tão encantador.
Mas eu sabia que ao acordar tudo ficaria tão cinza, tão sem vida. Eu sabia que todas aquelas sensações que meu corpo sentia, por maior ilusão que eu tivesse, só aconteciam em sonhos. E sabia também que ele só vivia em meus sonhos. Eu não conseguia nunca lembrar sua face, do seu olhar ou do seu cabelo, somente lembrava o seu sorriso. Um sorriso que transmitia alegria.
Mas, isto em um ponto era bom. Pois eu havia me fechando para o amor, deixado meu coração fechado para balanço e não queria voltar a amar tão cedo. Mera vontade minha, que em sonhos não era atendida.
E agora eu fico na incerteza, amando um sonho, um ser que não sei se ao menos vive, vivendo apaixonada por um sorriso platônico. Amando clandestinamente, escondida de mim mesma. À espera que esse sorriso, se torne real.

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