Devaneando o ano novo.

Noite de 31 de dezembro, Ana está em seu quarto se
aprontando para passar a festa de virada do ano com seus familiares. Enfeita-se
da maneira mais bonita possível, escolhendo a dedo a roupa, os acessórios, o
penteado para o cabelo. Quer estar linda e feliz com a vida para receber o novo
ano que irá chegar. Para ela, ao longo dos anos o espírito de Natal e Ano Novo
acabou se perdendo por aí, porque as pessoas parecem que não esperam mais por
essas datas. Todos trabalham, estudam, divertem-se e tanto fez se chegar ou não
as festas de fim de ano.  É uma pena. Mas
ela também perdeu esse espírito, ele só reaparece no dia 31, de mansinho. Mas
logo quer ir embora.
Antes de sair e finalmente encontrar os parentes que não vê
há tempos, ela pensa. Pensa consigo o que fez de melhor para o mundo em que
vive nesses 366 dias, que teve esse ano bissexto. Um dia a mais do que o
normal. Um dia a mais para fazer diferente. Será que ela conseguiu fazer algo
melhor pelas pessoas e por ela mesma? Será que todas as pessoas no mundo ao
menos tentaram isso? Ou ficaram apenas nas promessas? Sim, porque de promessas
o réveillon está cheio.  Só que promessas
vazias não fazem milagre. Promessas vazias que nunca saem do papel em que as
pessoas usam para escrevê-las no primeiro dia de ano novo, não vão tornar o
mundo melhor. Promessas só tornaram o mundo melhor quando virarem atitudes. 
Ana não pode julgar há quem só se enche de alegria nesse
último dia. Nem pode julgar os que não esperam mais nada do ano que em irá se
iniciar, porque cada um tem seus motivos e problemas para isso. Ela sabe.
Também não pode julgar, porque de todos os anos de sua vida, pelo menos até
agora, não foram muitos em que as promessas deixaram de ser vazias e se
tornaram algo que melhorasse a ela e ajudasse as pessoas ao seu redor.
Terminando de se aprontar para a festa, vai até a janela e
passa um tempo refletindo, olhando o céu e vendo alguns tímidos fogos de
artifício que as pessoas começam a soltar, mesmo antes da hora. Reflete e pensa
em como quebrar o clichê de só esperar um ano melhor e não fazer nada por isso.
Em sua reflexão, chega à conclusão de que esperar um ano que seja melhor do que
o que passou, não é a solução. O melhor é não esperar, mas sim agir. Ou esperar
sem muita expectativa e por coisas que você sabe que conseguirá ir atrás e
conquistar. 
Essa época do ano é bom também deixar a mente limpa de todas
as coisas ruins que nos aconteceram 366 ou 365 dias. Deixar para trás as mágoas
que não levam a lugar nenhum, as brigas que deixaram aquela pontinha de raiva.
O ano precisa ser novo, mas sua mente e alma também precisa se renovar. Não a
cada ano, mas a cada dia e mês. Mas sim, é um pouco difícil fazer isso, Ana
concorda. Então pelo menos, que nesse final de ano o mundo consiga fazer isso.
Renovar-se. A mente, os pensamentos, a alma… O ponto de vista que as pessoas
tem sobre a vida. 
Que nessa virada do ano, promessas deixem de ser apenas algo
vazio e se tornem reais. Para que depois de mais 365 dias, cada um olhe para
trás e perceba que não é preciso muito para ter esperança de dias
melhores.  Que basta um pouquinho de
mudança própria, de querer ser melhor e de sair do comodismo das expectativas
para colocar o que se almeja tanto em prática.

Um ano novo melhor pra todos que se comprometerem a 
fazer isso.
Esses são os votos da Ana, personagem do texto. E da Thaís, dona do blog.
Aliás, a Thaís também agradece por todas as visitas, comentários, elogios e
críticas construtivas que recebeu ao longo do ano no blog. Mais um ano, o
quarto. Que venha 2013, o quinto ano do blog. Boas festas para vocês,
blogueiros e leitores. Desculpem qualquer demora em textos. A gente se encontra
no ano que vem!

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