Sobre medos


Eu olho para os lados e somente vejo a neblina que insiste em tampar ilusoriamente todos os caminhos que eu poderia enxergar. Um arrepio percorre todo meu corpo, dos meus pés a minha cabeça, em fração de segundos. Caminhando vou seguindo sem qualquer direção, sendo guiada por toda esta agonia e o vazio que sinto em meu peito. Eu quero encontrá-lo e dizer tudo que está trancado em minha garganta, eu queria gritar e me livrar daquilo! Meus pés não conseguem obedecer mais ao comandos de minha mente, quero em frente seguir e eles insistem em me fazer voltar.
Novamente em uma frustada tentativa eu tento enxergar as ruas e casas ao meu redor, que agora são somente neblina por todos os cantos, esta situação estava fazendo com que meu coração rapidamente batesse e minha agonia ficasse maior a cada segundo. De repente veio uma vontade louca de gritar toda minha dor, e agindo sem pensar gritei com todas as forças que ainda me restavam.. o quanto eu odeio a tudo isto. E logo após meu grito, esperei que alguém viesse me ajudar, espera errada. Eu me via ali, sozinha e sem rumo e com muito, muito ódio de todos. Eles não poderiam me abandonar desta maneira, principalmente ele. Lágrimas involuntáriamente caem dos meus olhos e eu queria sumir dali. Se ao menos a neblina fosse embora, eu poderia me guiar novamente para a casa, meus lábios tremiam cada vez mais de frio.
Até que, em um ato rápido me acordo e percebo que havia derrubado minha coberta ao chão, eu olho para o relógio e percebo que havia perdido a hora por causa de meu pesadelo.. olho para a porta e o vejo vindo em minha direção mais belo e sorridente do que nunca, feliz por eu estar bem. Nossa, eu deveria ter falado e gritado realmente durante a noite com o pesadelo. Mas ao acordar e perceber que tudo não passou de um mero sonho ruim toda a estranha sensação de ódio que havia em meu coração se desfez em segundos.. e eu estava feliz por meu maior medo não ter virado realidade e eu não ter sido abandonada, por todos.

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