Singela felicidade.

Alguém bateu na porta, era possível ouvir a vozes ao lado de fora. Vozes altas e alegres, totalmente o oposto ao que acontecia dentro da casa.
Escrevendo ela ia, chorando em uma forma diferente, as palavras eram seu choro e ao mesmo tempo seu abrigo.
Uma contradição viva sem qualquer explicação. Novamente, ouviu alguém na porta a bater, mas não queria sair de seu infinito mundo particular.
Sentia-se acolhida entre suas próprias palavras, parecia estar em plena dramaticidade teatral. Até que caiu em realidade e foi até a porta, transtornada ficou por sentir o clima ilusório de alegria que pairava sobre as pessoas que junto a ela moravam ali.
Será que somente ela preferia isolar-se? Ou eram aquelas pessoas que seriam efusivas demais? Ela nunca gostou de pessoas assim. Não iria comportar-se como uma só para dar a ilusão de ser mais feliz. Para ela, ser feliz não é ser efusivo. Não é preciso colocar em um outdoor para que todos vejam vinte e quatro horas por dia que tu és feliz. Até porque chega a ser algo forçado.
A garota queria ser somente ela mesma, com suas crises de humor, com seus ataques de alegria e choros, sem hora combinada. Sem forçar nada. Festejar, demonstrar sim felicidade… Quem é que não gosta? Até ela gosta. Mas de uma forma diferente, de uma forma natural, através de um tímido sorriso, de um brilho no olhar. Sem precisar estampar em um outdoor sua felicidade.
E então, ela somente sorriu e disfarçadamente voltou ao seu mundo. Onde havia alegria, mas havia tristeza, amor e desamor. Seu mundo particular, e até teatral. Mas o que ela não sabia é que fazia do seu mundo, um mundo totalmente real, aprendendo com suas próprias palavras, criando emoções e vivendo-as a cada letra escrita no papel.

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