Fantasiando sentimentos.

Esta noite, fiquei devaneando ao deitar-me em minha cama, pus-me a tentar dormir, porém não conseguia, era uma tentativa frustrada, só pensava em ti. Minha cabeça no travesseiro, meu corpo naquela cama e meus pensamentos longe daquele lugar. Queria poder contemplar o barulho da chuva nas frias madrugadas ao teu lado, poderias fazer para mim um chocolate quente nos dias frios e entregar-me para mim enquanto eu assistia a algo qualquer na televisão da sala da minha casa.

Tentarias agradar-me, recompensando todo o tempo que perdeste sendo cego em não enxergares o meu amor. E escreverias para mim as mais belas frases de amor, que jamais alguém ousou inventar. Ou somente frases feitas de vez em quando, para variar. Cantarias para mim tuas canções de própria autoria, e eu te elogiaria, mesmo quando tu estiveste resfriado e tua voz soasse rouca demais. Serias perfeito, perfeito aos meus olhos.

Tu me ensinarias e aprenderia junto comigo a magia do amor. Teríamos brigas bobas, daquelas em que um fica emburrado com o outro por motivos banais. Teríamos brigas não tão bobas que nos ensinariam a seguir em frente, provando que nosso amor não seria perfeito, assim como nada nessa vida é. E assim teríamos muito que aprender um com o outro. Tu me levarias até algum parque e ficaríamos a contemplar do resto do dia, deitada com minha cabeça em teu colo, sentindo o teu cafuné. Dançaríamos (mesmo que nós não soubéssemos dançar) nossas músicas prediletas à luz do luar.

Eu levaria contigo a vida a dois que sempre sonhei pra mim, compensaria tantos anos de solidão, de vivência comigo mesma. Aprenderia o que é o amor e sobre os poderes que ele tem sobre as pessoas, sentir-me-ia como boba apaixonada, como uma pré-adolescente a descobrir o amor. Haveria uma grande diferença, eu aprenderia com esse amor e torná-lo-ia maduro a cada dia, assim como tu também o faria.
Caminharíamos pelas ruas de mãos dadas, observaríamos as pessoas só para não perder nosso costume. Tomaríamos um sorvete de chocolate e creme sentados em um banco no meio do caos da cidade, seríamos felizes com a nossa própria particularidade.

Iríamos colorir nossa vida á nossa maneira, tu irias me trazer cookies e um café, mesmo sabendo que eu detesto essa bebida, não perderias esse costume. Teríamos um gato e um cachorro, eles depois de alguns ensinamentos iriam conviver em harmonia, porque eu não abriria mão de ter meu animal de estimação preferido. Eu seria a inspiração de tuas canções, seria uma parte de ti. Em casa, iríamos fazer bolo e brigadeiro e sujaríamos um ao outro, embalados a canções de nossa preferência e risadas de ambas as partes com toda aquela maluquice. Trar-me-ias flores a cada aniversário de namoro.

Mas não ficaríamos em tanto grude, porque afinal, enjoaríamos um do outro com facilidade. Ficaríamos algumas semanas sem nos ver, sem contato algum, estimulando assim o crescimento da saudade e quando tivéssemos com vontade (ou a saudade já estivesse grande demais para conseguirmos suportá-la) iríamos nos ver e nossos beijos seriam intensos, assim como seria o nosso amor. Repetiríamos esse ritual muitas vezes e assim não enjoaríamos de nossa companhia. Nosso amor seria demasiadamente belo.

Mas como que tudo é bom, dura pouco, voltei logo a minha realidade de solidão. E sei que devaneios são sempre tão loucos e ao mesmo tempo tão reais. Desejos incompreendidos que se escondem em nosso íntimo, no nosso infinito particular. Vontades que queríamos tornar realidade. Mas algo me impede de tornar-te meu amor. Prefiro acordar e perceber que tudo não passou de um sonho bom. Sonho, controlado por mim mesma, sonho contigo sempre que quiser. E nos meus sonhos, tu és o meu amor e isso ninguém me tirará. Queria tê-lo só para mim e te fazer entender assim, o quanto me fazes bem sem ao menos perceber.

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