Era um dia nublado e todas as pessoas estariam de mau humor pelo tempo estar assim, sem vida. Sabe aquela história de que as pessoas só ficam alegres se o tempo estiver com um sol torrando lá fora? Então, não funciona com Sophia. Quanto mais nublado, frio ou chuvoso o dia estiver, mais feliz ela ficará.
Foi em nesse dia nublado que ela foi obrigada a sair contra a vontade. Não queria mesmo ter que enfrentar um centro lotado de pessoas andando apressadamente, queria simplesmente poder ficar em casa ouvindo suas músicas e lendo seus livros preferidos.
Porém, como ordem de sua família, se arrumou de uma maneira normal, como sempre, fez um laço no cabelo e uma maquiagem básica para o dia, porém sem passar despercebida. Sair sem vontade era ruim, mas não poderia sair totalmente desarrumada, embora achasse muito difícil ver alguém interessante em uma saída familiar.
Saíram todos, e ela entrou por último no carro. Algum tempo depois, estacionaram no centro da cidade e foram as compras. Porém, tiveram que andar até a loja desejada. Sophia não acreditava no que via, sua família querendo sair para fazer compras, aquilo era real? Ficara intrigada até descobrir que estavam fazendo compras, pois era o aniversário de uma das suas tias, a mais elegante da família, e assim os presentes precisariam ser à sua altura.
Foi quando em uma das suas caminhadas de loja em loja, ela avistou um rapaz e o mundo que girava ao seu redor parou. Sentiu um enorme frio na barriga, não sabia explicar aquela sensação. Já estivera se sentido assim antes, mas não repentinamente. Ela não acreditava em amores à primeira vista. Mas, o que mais poderia ser?
Não sabia o nome, sobrenome ou telefone do garoto que retribuía seu olhar. Ambos estavam parados e agora, aquele garoto sorria para ela. Ele era tão lindo… Seus cabelos eram claros e seus olhos seguiam o mesmo padrão. Ele parecia ser legal, havia algo em seu olhar e em seu sorriso que o atraíam, mas por que ele não vinha puxar conversa? Descobriu isso logo ao mesmo instante que fez –mentalmente-, essa pergunta para si mesma. Sua família estava logo atrás dela, a chamando havia alguns minutos. Nossa, ela não tinha escutado mais nada, e poderia estar até fazendo papel de idiota. Será que ele sorrira por ela não ter escutado sua mãe lhe chamar? Ah, não, claro que não! Lembrava-se muito bem de estar sozinha quando o avistou.
Mas agora era obrigada a ir embora, e ao menos poderia acenar um pequeno adeus a sua paixonite de primeira vista. Será que algum dia o veria novamente? Ao chegar a sua casa não conseguia parar de pensar naquele instante, e assim se seguir pelos próximos dias. Aquela cena não lhe saía de sua mente. Até hoje ainda lembra e sente a mesma sensação que sentiu ao avistá-lo. Claro que não tem esperanças de ainda o rever, mas fica feliz por ter amado naquele instante.
Há amores que duram alguns minutos e marcam intensamente sem ter a necessidade de machucar.

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