A flor.

Jully amanheceu feliz, desceu as escadas de sua casa e partiu em direção ao seu jardim. As cores tinham brotado novamente, setembro havia chegado e consigo a primavera e a alegria de quem necessita de cores em sua vida para viver melhor.

Cada flor tinha sua cor definida, as nuvens no céu estavam brancas, como se formassem algodões gigantes a fim de se juntarem e formarem desenhos encantadores. O céu era de um azul puro, claro e feliz.

Primavera chegou, e com ela sua alegria. O colorido da primavera trouxe a Jully um novo brilho em seu olhar e uma disposição maior para sorrir. De todas aquelas flores e plantas em seu jardim, havia uma que lhe chamava mais a atenção. Uma pequena rosa vermelha, um botão ainda decidindo se abriria ou não, a encantou perdidamente, como se fosse a última flor que ela fosse ver.

Decidiu então cuidar dessa flor, como se fosse algo precioso em que ela teria lucros futuramente. Na verdade, ela não sabia, mas teria. Sua rosa iria lhe trazer muitos sorrisos ainda, e convenhamos, quem é que não gosta de sorrir?

Todo o dia acordava e ia regar o botão de rosa, que travava com tanto carinho. Às vezes, quando a abstinência de conversa era grande, aquele pequeno botão de rosa tornava-se seu mais fiel companheiro.

Jully era bem sozinha, seus pais não tinham tempo para brincar com ela, nem tinha irmãos que poderiam a divertir e a irritar, mas poderiam amá-la demais. Era uma infância com um tanto de solidão. Foi por isso que quando encontrou aquele botão no jardim, sentiu uma alegria que talvez outras pessoas jamais iriam sentir.

Os dias se passaram e a rosa ia ganhando vida, ganhando cor. Logo ela se tornaria vermelha, a cor do amor. A garota a cada dia continha em seu rosto um sorriso mais puro e sincero. Nos últimos dias, estava feliz como quase nunca havia se sentido antes.
Eu sei, eu sei que para vocês que olham essa história de fora pode ser um tanto bizarro um alguém ficar tão feliz apenas por cuidar de um botão de rosa, que depois de certo tempo morrerá. Mas entenda que o que tu julgas importante e que te faz feliz, pode ser totalmente estranho e bizarro para mim e outras pessoas. Então, tente compreender antes de julgar. Tente sentir a alegria que Jully sentia.

Depois de vários dias, dedicando seu tempo a aquele pequeno botão de rosa, em certa manhã, a menina acordou e desceu as escadas correndo após observar do alto de sua janela, uma rosa vermelha tão bela. Descia os degraus rapidamente, com um imenso sorriso estampado em seu rosto, transbordando de emoção e alegria. Isso era realmente importante para ela, pois era a primeira coisa que cuidava com tanta dedicação e tinha obtido ótimos resultados. Se a roseira iria murchar algum dia, isso, naquele momento não importava. Só o que importava era a alegria de ao abrir a porta da casa e ir ao jardim, ver aquela linda flor vermelha a olhando, como se pudesse sorrir em agradecimento. Pois se não fosse Jully, ela não poderia estar tão bonita assim.

E então, naquele dia de primavera, ela havia aprendido a primeira lição de sua vida. A lição mencionava que quando fazemos o bem a alguém, não importa qual ser seja esse alguém, de alguma maneira somos recompensados com essa boa ação. Fazendo o bem a alguém, ficamos bem também.

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