Da realidade à fantasia.

Eu posso sentir a tua presença, eu posso sentir a tua voz em mim, como se estiveste do meu lado. Mas tu estás longe, longe de mim. Eu posso lembrar a qualquer hora do dia do jeito e das tuas manias. Elas podem invadir a minha mente em momentos mais repentinos possíveis. Mas sabe, essas lembranças são traiçoeiras e adoram aparecer justamente perto do meu adormecer. Consequentemente, tu viras o foco principal dos meus sonhos, lembro-os dos mesmos com um pouco de confusão, porém, isso é normal.

Já me cansei disso, para falar bem a verdade. Não canso de dizer, da mesma forma que eu gosto de você, que gosto da sensação de ser sozinha. Eu sou uma contradição e um conselho valioso que lhe dou é não tentar me entender. Parte de mim te quer e a outra te quer afastado. Acredito que minha parte racional saiba pensar bem todas as angústias que tu me causas – mesmo sem saberes – e, agindo corretamente ao ver da razão, quer que eu me afaste de ti. Mas o meu lado sentimental – que costuma ser mais burro – me diz que não faz sentido desistir de você, que um dia iremos ser um e que esse dia pode estar próximo.

Não dá para viver dessa maneira, com tantas contradições perturbando-me e tirando-me o sono a cada dia. Na verdade, não aguento mais essa cruel rotina. É nessas horas que eu queria que vendessem ou aplicassem uma injeção de coragem. Ou a que existisse um remédio, algum tipo de comprimido que fosse vendido para deixássemos de gostar de certa pessoa. Na verdade isso seria uma coisa bizarra, mas seria melhor do que viver todos os dias os mesmos sonhos.

Não sei aonde eu quero chegar com esse desabafo sem beleza, sem rima, sem poesia. Mas como tudo está sem cor, é isso que transmito aqui nesse papel. Espero encontrar o caminho das cores, da felicidade. Eu queria achar um caminho que fizesse com que meus sonhos significassem tranquilidade. Eu queria estar em um campo lindo de flores brancas com um gramado verde-limão e poderíamos estar deitados de mãos dadas olhando as nuvens formando desenhos no céu. Eu queria e como isso é um ditado que aprendemos logo na infância, querer não é poder. Então eu somente queria e nunca poderia.

É ruim sentir saudade de algo que talvez nunca possa ser teu. O pior é acumular, cegamente, esperanças que essa pessoa um dia possa a ser teu par. É uma dor imensa. Não que eu não consiga superá-la, não é a primeira vez que passo por isso e não sou burra de pensar que será a última. Mas olha quanto romantismo em um único texto e quantos devaneios também. Quanta realidade camuflada em meio à fantasia.

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