Era noite de inverno. Algumas pessoas ainda caminhavam naquela rua, porém aos poucos, ela ia ficando totalmente em silêncio profundo. Era possível sentir o vento que fazia naquela madrugada fria, era o cenário perfeito para uma noite romântica.
A alguns metros dali, em uma casa perfeitamente bem cuidada, se encontrava a graciosa Mariana, deitada em sua cama, agarrada ao seu livro preferido, à espera de uma ligação que poderia mudar o rumo da sua noite. Esqueci de mencionar, que Mariana estava apaixonada e, em tudo que fazia, via o rosto do amado em sua mente. Até a imagem dele em sua mente era capaz de lhe tirar suspiros e fazê-la agir irracionalmente, agir como uma boba apaixonada.
Pensava ela que, naquela fria noite, poderia ser a chance que tinha para finalmente dar tanto o beijo que ansiou por meses em seu amado. Sonhava com esta noite tantas vezes, perdera as contas de quantas vezes sonhou acordada imaginando o momento que estaria realmente frente a frente com John e iria poder lhe dizer tudo o que estava a sentir por ele.
É claro que Mari não é tão corajosa assim e ainda não ficou frente a frente com ele, querem que eu lhes revele um segredo? Ela nunca teve coragem de ir falar com ele, sobre qualquer coisa. Nunca. Somente o observa, da janela do seu quarto, todos os dias no momento em que ele caminha por sua rua e ia até a praça que ficava ali perto. Foi por esta razão que ela, ao tentar ao menos alertá-lo de que ela existia, deixou um bilhete curiosamente misterioso com o número de seu telefone no fim do mesmo. Era simples, se ele acabasse interessado no bilhete, ligaria para seu número e tentaria descobrir a identidade da sua admiradora secreta.
Agora, devo dizer uma coisa sobre John, ele nunca imaginou que algum dia poderia ter uma admiradora secreta e ficou por alguns instantes, sem saber o que fazer. Claro que tudo poderia não passar de uma brincadeira de muito mau gosto, porém, algo dizia que isso poderia ser real. Que realmente poderia existir alguém que o observava e suspirava secretamente por ele. Será que alguém sonhava todos os dias com ele? Estava decidido a ligar e descobrir a verdade sobre aquele bilhete.
Os minutos se passavam e Mari não aguentava mais em tanta ansiedade, sempre foi de sofrer antecipadamente e devo confessar, de ela já estava imaginando que havia colocado tudo a perder com tal atitude, que ele a acharia uma infantil por ter feito tal coisa. Nervosismo do momento explica tanta imaginação.
Até que do quarto de Mariana, pode-se ouvir um barulho, o barulho do telefone a tocar. Suas mãos estavam trêmulas e quase não conseguia segurar o telefone direito, não conseguiu ser a primeira a quebrar o silêncio que havia naquela ligação. Mas, não sabe como, conseguiu finalmente ouvir melhor a voz do seu amado. Pode contar e acabar com toda a curiosidade que John sentia sobre essa história inteira. Pode enfim, revelar seus sentimentos. Mas isso não a havia deixado feliz, nem deixado ele feliz. Faltava algo. Claro, declaração de amor por telefone, já viram uma coisa dessas? Não é muito comum e é um tanto anti-romântico quando a outra pessoa nunca te viu.
John, com curiosidade de ver o rosto da garota que o amava, convidou-a para sair naquele momento, poderiam ir até a praça para conversarem. Por mais loucura que aquilo poderia parecer, Mariana aceitou e, vestiu-se da forma mais encantadora possível. Seu sorriso podia ser notado de longe, mesmo com a escuridão da noite tentando apagá-lo.
Não seria muito difícil para Mariana caminhar até a praça em que marcou com John, já que a mesma ficava a apenas alguns metros de sua casa. John, porém não sabia que sempre esteve tão perto dela, já que ele sempre ia até aquele lugar para poder pensar.
Estava frio e a chuva antes era fina, começava a ficar um pouco mais forte, porém, nada disso iria fazer Mariana mudar de ideia e voltar para a casa, apesar da demora que o amado estava tendo. Ela tinha medo que ele pudesse ter mudado de ideia.
Foi quando de repente, num instante em que não podia imaginar, ele apareceu. Estava mais belo que o normal, e seu coração começou a acelerar. Como ele podia ser tão atraente sem fazer nada? Queria falar, falar e falar, porém, o nervosismo a deixou sem palavras. Sabia que aquele momento era para ser lembrado para sempre, algo mágico que nunca havia vivido.
O que John não poderia imaginar, era que a garota em que estava a sua frente, era a mesma que uma vez ele avistou no alto de uma janela e ficou encantado, mas decepcionado quando a viu rapidamente virar o olhar.
A chuva agora se tornava mais forte, era tarde da noite e nenhum dos dois havia trocado uma palavra sequer. John pensou então, que poderia deixar as palavras para depois, precisava sentir os lábios de Mariana nos seus, precisava do toque daquela garota naquele instante, isso o tornaria mais vivo.
E então, os corpos foram automaticamente ficando mais próximos, as mãos se encontraram e um beijo foi iniciado, um beijo doce e quente, em uma noite bela e fria. Ele a pegou nos braços, e com Mariana em seus braços, quis que aquele momento nunca mais acabasse. Queria agradecer por ela ter sido coragem de agir da maneira mais misteriosa e atraente. Já Mariana queria agradecer a si mesma por, finalmente, ter se deixado levar por uma loucura de amor. Ela que sempre achou tão banal, agora estava tendo um momento mágico por ter quebrado seus próprios conceitos sobre esse sentimento e ter tornado o que antes era totalmente platônico, em algo real.

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