O frio do inverno congelara seu coração e nada fazia isso mudar. Há muito tempo ela não mais sabia o que era sentir as famosas borboletas no estômago, ou então, o que era suspirar por horas e horas a pensar na imagem da pessoa amada.
De alguma forma sentia-se feliz com isso. Sabia que não era a real e total felicidade, mas não se importava. Vivia seus dias a sua maneira e viva inteiramente para ela. Divertia-se e nunca deixava de fazer nada por causa de outro alguém.
Gostava de ser livre. Totalmente independente. Gostava tanto que já tinha esquecido completamente como era a sensação de apaixonar-se novamente. Tinha medo, muito medo de que isso acontecesse. Como iria reagir? Como iria jogar pra trás todos os seus planos de não se apegar a ninguém? Era feliz estando assim, precisando somente da companhia dela mesma.
Lia livros, assistia a filmes, escrevia textos de gaveta, saía com os amigos e se divertia e tudo estava perfeito. Mas, o que aconteceria se ela encontrasse outra pessoa? Não gostava de pensar nisso. Encontrava abrigo em outras coisas e não via necessidade de ter um cara ao seu lado para conseguir sentir-se completa. Ela era sua melhor companhia e isso ninguém tiraria dos seus dias.
É claro que muitas vezes ela idealizou beijos, conversas, abraços e romances que nunca existiram, e que já teve vários romances platônicos, que foram lindos em sua imaginação. Mas ninguém vive tão superficialmente assim.
Ela sempre ditava as regras e colocava as cartas na mesa, ninguém a mandava fazer algo e sentia-se poderosa por isso. O homem que a quisesse como namorada teria que aceitar a essas condições.
Sim, talvez ela exija demais de si mesma e das outras pessoas, mas ela tem total segurança vivendo assim e não corre risco algum de machucar-se que coloca suas exigências muito altas para que não ninguém consiga atendê-las e que assim, ela continue vivendo de uma forma segura.
Vive de amores platônicos, idealiza encontros românticos, chora com livros dramáticos e após um filme romântico fica se imaginando no lugar da protagonista da trama. Ela se afasta do amor, foge dele, não consegue ser amiga nem da paixão… Ela está tão acostumada com isso, que talvez esteja se apegando mesmo é a solidão e se desapegando dessa coisa de amor.
E por enquanto, ela vai vivendo dessa maneira, sendo livre, adorando sua própria companhia.

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