A hora de recomeçar.

Olhava pela janela e via o mundo lá fora com os olhos de mera expectadora. Esquecia-se de ser personagem desse jogo chamado vida. Passou tempo demais presa em suas próprias lamentações. Não conseguia mudar seus pensamentos para coisas positivas, pois tudo ao seu redor insistia em fazê-la acreditar que nada poderia mudar.

Deixou de viver coisas maravilhosas e nem se deu conta disso. O tempo passou e ela não o aproveitou. Logo ela que sempre era adepta do clichê que precisamos aproveitar cada momento como se fosse o último, tinha feito completamente o contrário e o pior disso tudo é que só percebeu agora.

Mas, será que era tarde demais para tentar? O que custaria tentar voltar a viver? Ah, sim, é claro que ela estava viva, refiro-me que nos últimos tempos ela apenas sobrevivia, querendo então voltar a realmente viver. Porém, será que ainda tinha alguma esperança de encontrar a sua felicidade? Na verdade, ela já a tinha encontrado e a deixou escapar por tão pouco, que agora que sua ficha havia caído, ela tinha raiva de si mesma. Mas nada poderia ser feito, não era tão simples assim e não conseguia pensar somente em si mesma. Mas alguma coisa ela teria que fazer, ficar parada vendo o tempo passar e ficar lamentando-se não seria a melhor opção para seus dias.

Foi então que se decidiu sair até a rua. Não que ela fosse ir até algum lugar, mas queria ao menos poder contemplar toda a beleza que existia lá fora. Caminhou por entre a rua vazia, olhou para o céu procurando o brilho das estrelas, mas não as encontrou lá. Era uma noite sem estrelas e também sem lua, pois a mesma estava encoberta por várias nuvens que insistiam em fazer parte daquele cenário noturno. ‘’Já presenciei noites mais belas’’, pensou ela. Mas também já havia tido dias melhores. Já que seus dias tinham sido tão ruins comparados aos de um tempo atrás, era justo que suas noites não fossem mais embaladas pelo brilho da lua e das estrelas que tanto a encantavam.

Todo o frio que sempre amou também não estava mais tão presente. É claro que ainda podia desfrutar de seu casaco preferido, mas não mais tremia os lábios em efeito do frio interminável. Era uma noite nem fria e nem quente, com um meio termo, com um pouco de ódio e um pouco de amor.

Voltou para sua casa, afinal já era noite e de nada adiantaria tentar começar a viver aquela hora. Deveria refletir e colocar em prática todas as coisas que decidisse fazer. Era certo que a que ela mais ansiou por todo esse tempo, não poderia fazer agora, nem nunca mais.

E agora ficava a se perguntar como deixou a felicidade escapar dessa maneira? Como não notou a felicidade batendo em sua porta? Fechou as portas para um mundo de alegria que jamais conheceu e agora tão cedo conheceria. Teria que se conformar e teria que superar. O tempo curaria tudo, o tempo poderia ajudar a resolver. Se tivesse seus livros, seus filmes e encontrasse outras maneiras de se refugiar… Tudo poderia ficar bem, ou fingir estar.

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