Emily estava caminhando pelo jardim de sua casa numa tarde de clima agradável e ensolarada, com as flores da primavera com suas cores em intensidade máxima, os pássaros a cantar e toda a beleza que continha nessa estação. Sentia que era hora de renovação, de uma mudança e principalmente de não fugir com medo do novo. Era hora de fazer tudo ao seu redor valer à pena, de fazer a vida valer à pena.
Porque ultimamente Emily estava se perguntando qual eram as razões de ela estar aqui e o que na verdade seria essa coisa toda em que chamamos de mundo. Qual seria não só a dela, mas também a de todas as mesmas que já viveram ou ainda vivem nesse planeta. Às vezes se perguntava se tudo isso realmente era real e se na verdade, não era só mais um jogo que alguém se esqueceu de avisá-la o regulamento.
Mas ao caminhar pelo jardim e sentir o aroma da estação das flores, ela pode chegar à conclusão de que sim, sua vida é real e por mais que pareça confuso e sem explicação, isso não é um jogo e, portanto, não há ensinamentos para aprender de uma só vez. À medida que os dias, meses e anos forem passando, irá acumular respostas as tantas dúvidas que um dia já teve.
Agora a sensação que tinha, era como se estivesse num grande e bonito avião e pudesse enxergar tudo abaixo do mesmo, tudo fosse tão pequeninho e ela fosse a peça principal desse lance chamado vida. Um momento só dela e de mais ninguém, mas deu-se conta de que talvez não tenha sido a primeira pessoa a desejar isso.
De uma coisa ela tinha certeza: obtivera de alguma maneira, com a beleza da primavera, as respostas das perguntas que tanto a perturbaram por todo o inverno. E talvez ela também tivesse obtido um pouco de calor e sorrisos para os seus dias.
Sentia-se em uma grande festa e era como se só enxergasse vários balões coloridos à sua frente. Estava tendo os mais loucos tipos de pensamentos e desejos, mas se tranquilizava que tudo isso fazia parte do novo. Talvez se aventurar um pouco faça parte da mudança que tanto quero, pensou ela.
Porém, se deu conta de que por mais intenso que fosse o seu desejo de algo novo, algumas lembranças do passado voltariam a atormentá-la ou alegrá-la de alguma maneira em algum momento. E deu-se conta de quantas emoções boas e ruins ela estava deixando para trás, mas que deveria estar preparada para se alguma hora essas lembranças viessem à sua mente sem pedir nenhum tipo de permissão.
Voltou para dentro se sua casa, afinal já tinha anoitecido e as cores da primavera se misturaram e deram espaço para a escuridão da noite. Emily também precisa disso. Precisava do novo, das cores, da alegria… Mas não conseguiria se desprender totalmente do mistério, do silêncio e da tranqüilidade que a noite lhe transmitia.
Talvez devesse misturar um pouco dos dois e abraçar o novo, respeitando suas antigas vontades. Talvez isso fosse até melhor do que de uma hora para outra forçar a ser o que não é só por um desejo ou capricho de mudar a sua vida. Ela precisava conversar mais consigo mesma para conseguir equilibrar tantas emoções, tantas perguntas e respostas e tantos desequilíbrios emocionais. Porém, ela tinha uma certeza: a que seu silêncio era seu melhor ouvinte.

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