Começamos essa história falando de Louise. Vocês, leitores, precisam saber que ela é uma moça auto-suficiente. Para ser mais sincera, em sua visão de mundo é que ela pensa ser. Não gosta nada da idéia de dividir seu dia-a-dia com alguém de uma forma tão íntima e intensa, como seria se assumisse algum compromisso agora. Suas amigas muitas vezes fazem piadas por causa dessa escolha. Todas elas, como a personagem dessa história, adoram o filme (500) Days of Summer. Zombam com moça pelo fato dela ser parecida com a protagonista do filme. A diferença é que de modo algum gostaria de casar.
Mas, Louise não liga para as piadas que fazem, pois sabe se divertir fazendo coisas que realmente gosta e vive bem assim, aproveitando sua juventude. Sonha em ser uma mulher bem sucedida profissionalmente e ser feliz no que faz. Realmente, sabe como não precisar exclusivamente de outro alguém para ter felicidade. Para ela, ninguém é incompleto. Se algum dia amar de verdade, será porque é inteira e não procura sua metade, mas sim alguém inteiro que queira dividir momentos de sua vida.
A personagem dessa história maluca tem certeza que príncipe encantado só existe em filmes, aliás, nunca gostou muito deles. Também acredita que o para sempre não existe e que ninguém está no mundo para ter alegria todos os dias. Mas, é claro que não pensava assim quando era mais nova. Louise era boba demais e acreditava em quase todas as coisas que agora sabe que são bobagens. Errou e se machucou, mesmo que hoje, olhando para trás, ela dê risadas ao lembrar da maioria dos momentos ruins que envolveram o amor, ou o que ela pensava que era amor.
Lembram do que eu comentei no início dessa história? Ela só pensa ser auto-suficiente. Mas bem, eu como mera narradora de uma personagem, que na verdade fui inventada pela imaginação da autora, digo que Louise só é assim porque ainda não amou. Absolutamente, sua visão de como deveriam ser os relacionamentos faz sentido. Não que eu deva demonstrar a minha opinião, pois meu papel é informar a quem lê sobre o destino dessa moça, e não devo desviar a atenção de vocês – mesmo já fazendo isso. Essa moça pode sim ser feliz sozinha, e ela é. Mas a pergunta é: por quanto tempo? Como ela mesma acredita que nada é para sempre, nem sua felicidade solitária. Algum dia ela perceberá que ninguém é totalmente feliz sozinho. Ela, que nunca gostou de ler romances, poderá ainda viver um. O melhor é que isso não precisa começar com ilusões de ser para sempre, nem de se sentir completada só com o homem amado. A diferença, na verdade, é que terá um companheiro e será maravilhoso enquanto durar, enquanto dividir momentos com o futuro amado.
Mas, enquanto esse dia não chega, ela continua aproveitando sua juventude e sua criatividade. Como? Fazendo o que mais gosta sem dar satisfação à outra pessoa. Mas sabem o que eu penso? Que um pouco dessa vontade de ser feliz sozinha e aproveitar a idade é camuflado no medo que sente do amor. Desse sentimento forte que chega de mansinho, no olhar. Ela tem, sinceramente, medo de amar. Porque no fundo ela é romântica. Do jeito dela, diferente, mas é. Só não admite ser.
Ah, olha eu aqui mudando o foco de vocês. A opinião de uma mera narradora atrapalhando o desenrolar dessa história, que mais ficou parecendo um desabafo da mente da autora. Mas cá entre nós, quem é que pode discordar que não foi um desabafo camuflado? Sinto que a autora irá querer me matar. Mas penso que não foi tão ruim o que eu fiz, por que quem é que não usa do artifício de criar para de algum modo desabafar?

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