Menino de cidade pequena, mas
morando em casa grande. Esse era Hans. Sua casa era cercada por muito verde.
Ele adorava viver ali, em paz. Sabia que quando mais velho talvez fosse odiar
morar em um lugar tão monótono, mas agora, quando criança, é extremamente especial
poder crescer ali. Cercado de verde e de animais com que ele poderia
se divertir, era um garoto simples que aos poucos ia descobrindo a vida.
de idade. Já tinha passado da fase de fazer infinitas perguntas aos seus pais,
agora gostava de descobrir por si só as respostas para as dúvidas que tinha. E
conseguia fazer isso observando a natureza. O céu, o sol, a lua e as estrelas.
Elas dizem muito para quem se deixa entender. E Hans se deixava entender por
elas. Mas um lugar onde ele gostava de descobrir respostas para suas
perguntas, era na biblioteca imensa que tinha em sua casa. Apesar da
simplicidade da cidade, seus pais adoravam livros e ele era privilegiado por
ter um acervo de informação e diversão assim tão perto, dentro de sua casa.
anos com seu pai, que sempre contou histórias. Leu seu primeiro livro junto aos
pais, que comemoraram. Seu pai, dando-lhe um abraço apertado. Sua mãe, além do
abraço, preparou um bolo de chocolate, o preferido do menino. Os três
comemoraram e comeram, até Hans ir se deitar e ler ele mesmo a história daquela
noite, tendo seus pais como ouvintes.
vida. A valorizar a natureza, que é uma das maiores belezas físicas que temos
no mundo e a admirar o mundo da leitura. Menino de cidade pequena, nunca ganhou
uma viagem para fora do país ou do estado, como algumas crianças ganham, mas
viajou para infinitos lugares, sem sair de dentro da biblioteca da sua casa.
Viajou sentado, deitado, apoiando o corpo em alguma posição que o deixasse
menos desconfortável. Viajou na chuva, no frio, no calor… Simplesmente
viajou. Viajou através dos livros.
outros valores a Hans. Esse mundo mágico da leitura o ensinou que o
conhecimento é uma dádiva, que todos deveríamos procurar. Mas o conhecimento
sabia Hans, o conhecimento não nos torna superior à outra pessoa. Quem tem amor
pelos livros e acha que isso faz com que seja melhor que alguém que não tem,
está completamente enganado. Está se enganando. Está usando da maneira errada
esse universo tão gostoso.
diversão para outros, mas isso não deve ser algo que caracteriza que essas
pessoas são melhores do que outras. Muitas mesmo não têm a oportunidade de
procurar conhecimento nos livros. E nem por isso são menos importantes. Ele pode ser obtido de várias formas, mas tem como objetivo tornar
as pessoas melhores, mas melhores por dentro, de espírito.
sempre estava presente, mas quando aparecia, ensinava muitas coisas a seu neto.
Ele ficava impressionado como ela sabia tanto, mas tanto, sem nem ser tão amiga
assim da leitura. A resposta para isso é que a avó de Hans se abria para
infinitas formas de conhecimento, até mesmo as que o menino ensinava para ela
com os livros. E ela o ensinava que por
mais importante que os livros possam ser para as pessoas, eles não podem ser o
motivo que as fazem querer ou achar que são melhores que as outras.
Juntos, Hans lia para sua avó, não tentando fazer com que ela gostasse daquele universo, mas mostrando a forma de conhecimento que tinha para dar para ela. Juntos, sua avó o ensinava a cozinhar e dizia que ele deveria saber se virar sozinho. Principalmente na cozinha. Era uma relação forte, apesar de não ser presente. A relação que mantinha com sua avó e seus pais era o que tanto fazia Hans se tornar uma pessoa tão especial e com uma personalidade bonita, de causar admiração até em adultos que perderam a beleza de suas personalidades na correria rotineira que se tornou a vida.
cidade e sem saber muito bem como é o mundo de outras pessoas grandes, aquele
menino de oito anos já carregava muito conhecimento em sua bagagem de vida. E o
mais importante de tudo, além é claro do conhecimento, é que ele carregava
valores e sabia de que forma ele poderia usar todo o amor que sentia pelos livros
e pelo ato de descobrir mais sobre a vida através deles.
vezes pode se deixar levar por coisas levianas que o poder (mesmo do
conhecimento) traz à cabeça. Ela não queria que seu menino se tornasse alguém
arrogante ou que se achasse superior a outras crianças que gostam de ler, só
porque ele tem uma biblioteca em casa. Coisa que ela sabia que para um amante
da leitura, saber que alguém tem isso em casa é ficar com uma vontade imensa de
ter também. Pelo contrário, certa vez Hans surpreendeu a todos, levando alguns
coleguinhas da escola onde estudava para dentro de sua casa, ou melhor, da
biblioteca que tinha lá. Nesse dia, sua avó se fazia presente e cozinhou junto de sua
filha para os coleguinhas de Hans. Por dentro, ela sorria por aquele menino
estar aprendendo a como utilizar o conhecimento que tem descoberto. O
conhecimento na mão de quem não se prepara para tê-lo ou não quer enxergar
outros valores além desse, pode ser uma arma pior que a ignorância. Disso ela,
com toda sua experiência de anos e anos de vida, sabia muito bem.
valores que ele talvez não encontrasse assim tão nítido com os livros, graças a
sua avó. E aprendendo infinitas coisas que ele nunca poderia imaginar que
aprenderia, porque adentrou nesse maravilhoso e gostoso mundo de descobertas
que a leitura nos proporciona. Ele vive feliz viajando pelo mundo, sentado no
chão da biblioteca de sua casa e se encanta quando lê e aprende com a filosofia, astronomia,
história e contos. Ele procura conhecimento. Ele procura isso para se relacionar melhor com as pessoas a seu redor. E não para se achar superior por ter. Procura
também diversão viajando sem sair do lugar, vai vivendo assim naquela cidade pequena, junto as pessoas que mais ama, crescendo junto (fisicamente e interiormente) com seus valores e o conhecimento.

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