Memórias em pedaços, uma carta e nada mais.


E aqui estou sentada ao chão, ouvindo minhas músicas prediletas. Papel e caneta em minhas mãos, preciso escrever. Não sei o porque, mas uma vontade repentina de jogar meus sentimentos na escrita tomou conta de mim.

Então, dedico a ti, que tanto me fizeste sofrer no passado com o teu amor. Sei que não lerás esta carta agora, nem quero que leias nesse momento. Lerás daqui a alguns anos, quando talvez tu esteja chegando nos trinta. Preciso dizer-te através desta carta, coisas do meu mais infinito particular que ficaram guardadas por todo esse tempo.

Saibas que não serão nas manhãs frias de inverno que irás me encontrar, como tu sempre fazia na época em que éramos um só. Tua chance acabou no instante em que tu me feriste, partiste meu coração em vários pedaços, deixando-os separados e nunca mais voltaste para juntá-los. Me deixaste só e sofrendo com a desilusão, tive que aprender sozinha a enfrentar minha tristeza. Não foi como aprender uma matéria no colégio, não tive ajuda de professor, de dicionários ou de livros, tive que aprender por mim mesma. Comigo mesma. Com o tempo. Não penses tu que foi fácil chegar aonde cheguei agora, não foi nem um pouco fácil enfrentar o mundo desabando em cima de mim.

E tu vais dizer que não fizeste por mal, que eras imaturo e não mediu tuas conseqüências. Se tu eras imaturo, com isso fizeste com que eu amadurecesse mais rápido. Demorei, porém, enxerguei que não valia a pena sofrer tanto, me privar tanto por causa de um erro teu. Confesso-lhe, não foi fácil pra mim, mas não há nada nessa vida que com o tempo nós não iremos aprender.

Agora, escrevendo esta carta, na incerteza de que se algum dia tu irás me procurar novamente, deixo meus pensamentos. Todas as minhas angústias, raivas, mágoas que tu provocaste, fazendo com que isso crescesse dentro de mim, estão aqui. Não fiques espantado com minhas palavras, elas não são nada assustadoras ou cortantes como tuas ações. E eu não falo isso para impressionar-te ou deixá-lo com algum tipo de remorso, não falo isso para que tu tenhas pena da guria que abandonaste a anos atrás para curtir a tua vida e todas as gurias que caíam aos teus pés sem tu fazer nada. Não quero nenhum sentimento desse tipo caso tu chegues a ler isso. Leia e encare isso como uma forma de te dizer tudo que eu quis dizer-te pessoalmente naquela época e não consegui.

Não sei realmente quando – se é que haverá um dia- que esta carta chegará até tuas mãos. Estou enviando-a agora, apostando que o futuro se encarregue que tu leias. Talvez, quando tu estiveres beirando teus trinta anos de idade, ou os teus vinte e cinco tu tenhas este papel em tuas mãos. Tu podes rir ou simplesmente ficar inerte a ela, mas de uma coisa eu tenho certeza, todas as memórias dos momentos que tu passaste comigo aparecerão em tua mente e tu, em algum ponto da leitura pensarás como as coisas teriam sido se não tiveste cometidos teus erros.

Mas sabe, foi melhor assim. Não me imagino agora estando contigo. E nem daqui para frente, que provavelmente daqui a uns anos, ou mais, lerás isso. Não era pra ser contigo os momentos mais felizes da minha vida, apesar de que contigo foram meus primeiros momentos felizes em questão amorosa, não era para ser você a pessoa que iria me aguentar pelo resto das nossas vidas e que cuidaria de mim quando estivéssemos velhos.

Desculpe por ser extensa, sei que se cansarás com a leitura, mas peço para que não jogue esta carta ao lixo antes de lê-la até o fim. Não me escrevas respondendo-a, encerro aqui todas as coisas que me lembrem a ti.

Texto para o @Blorkutando 🙂

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