Hoje ao acordar, decidi viajar. Levantei-me e ao ouvir o canto dos pássaros lá fora, deixei um sorriso transparecer em meus lábios. Decidi na verdade, que continuaria a minha viagem, pois viajo todos os dias, sem pagar passagem.
Conheço pessoas, lugares conhecidos e inimagináveis. Viajo a qualquer hora do dia, da noite ou até mesmo da madrugada, por que não? Não preciso de avião, não paro em rodoviárias e muito menos enfrento o caos dos aeroportos. Não preciso pagar para tirar visto de passaporte, nada disto. Faço uma viagem muito mais vantajosa e agradável. Viajo parada, deitada, sentada, seja como for. Já viajei até para fora do país. Na verdade, quase todas as minhas viagens são para lugares distantes.
Mas agora que já expliquei o quão mágico é o poder que tenho de viajar dessa forma, voltarei ao que eu estava fazendo. Percebo a beleza do amanhecer, os raios solares atingem meu rosto, deixando-me encantada com tamanha beleza, vou até a varanda e sento-me no meu canto preferido. Em minhas mãos está o meu livro, devo ter passado da página cem, não sei ao certo, pois a leitura é tão agradável que não percebo a rapidez com que as páginas vão sendo lidas.
Levanto-me e vou até a cozinha pegar alguns biscoitos e um chocolate quente, pois apesar do sol que está brilhando no céu, o frio também resolveu aparecer por aqui hoje. E isso não é nada mal, pelo contrário, ele parece que sabe o quanto adoro ter sua companhia em minhas viagens.
As outras pessoas que estão ao meu redor, me vêem como louca ou alguma anormal com um livro qualquer na mão. Elas não devem entender nada quando eu rio, choro, fico com raiva, somente por ler algumas páginas. Tristes pessoas, que não conhecem o prazer de viajar através dos livros. Tristes pessoas, que se preocupam mais com saídas e curtição, e olham para alguma pessoa que diz que gosta de leitura, como se ela fosse algo estranho.
Que saibam elas, que estranho para mim, é as pessoas que me dizem que não gostam de ler. Tudo bem que eu não posso mudar os gostos de ninguém e que também, todos têm vontades diferentes. Mas não consigo entender como alguém pode jogar fora, descartar de sua vida, o grande prazer de ler.
E então, naquela varanda, naquele dia de inverno ensolarado, eu viajei através do meu livro e deixei tocar uma música com uma bela melodia de fundo. E assim, são os meus momentos mais simples e sinceros, que me deixam e tiram-me de qualquer coisa ruim que eu possa estar passando. Simples, livros são como remédios, como sorrisos, como tudo.

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