Sente aí, vamos conversar querido. Seja lá quem tu fores só preciso de alguém que me ouça e dê atenção aos meus lamentos. Ficar debruçada nesta janela, olhando o luar e deixar lágrimas cair do meu rosto, já não me satisfaz mais.
Preciso lhe contar em que houve um momento em que eu parei para pensar e procurei agir somente com a razão. Mas aí, eu percebi que é tão ruim, não ter um pouco de emoção. Nós humanos somos masoquistas e preferimos agir sempre com o coração, apostando inteiramente na felicidade que isto pode nos proporcionar, já cientes de toda a dor que possa vir acompanhada, caso o que escolhemos não der muito certo.
Por que comigo iria ser diferente, não é mesmo? Como mera humana que sou, agi com o coração mais uma vez. Coração burro e doentio, mas sei que um dia ele irá acertar. Sou fria e calculista, às vezes. Mas há situações em que a emoção fala mais alto. Geralmente, acabo tendo alguma decepção por causa disso. Mas é de decepções que fazemos nosso amadurecimento.
Agora, eu queria lhe oferecer um café. Deve ser chato ficar aí ouvindo as lamentações, de uma romântica não assumida e frustrada, sem tomar sequer alguma bebida. Não gosto muito de café, mas ouvi dizer que tu adoras, então, aqui está. Café e cupcakes, para tentar alegrar um pouco a tua noite, já que a minha, a solidão e a tristeza me fazem companhia.
Falar de solidão não é tão ruim quanto falar de decepção. Solidão é tão mais fácil, meu querido. Eu me isolo, eu não sofro, eu não sinto. E evito maiores sofrimentos dolorosos. A famosa arte de não se importar, gosto da minha própria companhia. Sempre fui assim, porém fui pega de surpresa por essa estranha sensação de borboletas na barriga. Mostrando que tenho muita sorte, não foi dessa vez que deixei a solidão de lado. É por isso que eu prefiro estar sozinha, porque já sei que essas coisas, por enquanto, não foram feitas para mim. Frustração romântica poderia ser o nome disso. Ou carência, quem sabe. Não, carência não. Pois se fosse isto, cairia nos abraços do primeiro que me interessasse, e não, não é do meu feitio fazer isso. Essa é a minha prova de que não é carência o que sinto.
Sinceramente, não sei até onde este diálogo irá nos levar. Mas fique aí sentado, eu já volto, irei fazer um chocolate quente. É, sabes bem que não gosto de café. Fico feliz que tenhas me esperado. Não é muito acolhedor de minha parte fazer-te ouvir sussurros de uma história de amor mal sucedida. Desculpe-me, mas tu és o único que ainda tem a paciência de me ouvir. Algum dia eu poderei agradecê-lo à altura.
Na verdade não sei como aguentas ouvir-me, sinto-me tão chata falando das minhas teorias sobre amores, ou sobre meu azar amoroso. Algum dia ainda, eu vou querer entender, o que ganhas por ter a paciência de me ajudar, quando todos acham que é uma dor passageira, da idade.
O sono chegou até mim. Vou precisar pedir que vá embora, mas amanhã tu voltas, gostei de ter alguém me ouvindo, sem usar de argumentos clichês para me criticar. Deixe que eu vá subir até meu quarto e preparar a minha cama, dei-me um abraço de despedida, tudo bem, até mais.
"Minha querida, falaste tanto, agora me deixe falar. Não sabes o quanto adoro ouvir a tua voz, o tom é tão lindo e tuas palavras tristes soam tão doces. Pena que teus lamentos são por alguém que não sabe valorizar teu coração. Dói demais estar aqui a ouvindo, mas se isto a anima vale tal sacrifício. Ainda acredito que algum dia perceba que ao teu lado, teu amor sempre esteve. Quero que um dia percebas que esse amor sempre fui eu. Queria ter lhe falado tudo isto como falou todas as tuas dores para mim, porém não tive coragem, deixo-te este bilhete, escrito em um momento de tua distração. Agora durma que os anjos, trarão sonhos belos para ti. "

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