Caminhava distraidamente na madrugada pela estrada vazia, só se podia ver a neblina que insistia em deixar a rua completamente em silêncio. Avistava ao seu redor o escuro do céu, já que era uma noite sem luar e sem estrelas. O céu parecia triste e não quis tornar-se bonito naquela noite. A escuridão era total e podia amedrontar Julieta, mas nem isso era motivo para fazê-la sentir um pouco de medo.
Já morava sozinha, já podia considerar-se independente, tinha amigos maravilhosos e mesmo assim algo ainda faltava. Completamente quieta ela andava pela rua, não conseguindo enxergar nada à sua frente, mas não se deixava por vencer. Não sabia exatamente o porquê de estar ali, longe do conforto de seu apartamento para estar caminhando naquela enorme escuridão e ainda por cima, solitariamente.
Sentia o seu corpo pedindo socorro, relutando em não ir mais adiante. Decidiu voltar para seu apartamento. Paz. Deu meia volta e pós se a andar pelo o caminho que já tinha vindo com uma enorme coragem que lhe invadiu o corpo. Só sentia necessidade naquele momento de sair dali, sentia que não deveria ficar solitária no meio de uma rua deserta naquela noite. Não sabia bem o porquê, só sentia isso.
Chegou à sua casa, sentou-se na poltrona e começou a contemplar a escuridão e a magia que aquele lugar lhe propiciava. Nada como estar no seu canto, onde todas as coisas diziam um pouco de sua personalidade. Não se julgava por ter feito aquilo antes, pois somente seguiu suas vontades, a madrugada inteira. Ás vezes nós precisamos fazer isso, mesmo que não acontece nada de mais interessante nesse tempo.
Mal se sentou e ouviu um trovão. Lá fora a chuva começou a cair com veracidade e o céu agora ficava quase claro por causa dos relâmpagos e trovões. Foi à cozinha e preparou uma xícara de chocolate quente para tentar-se aquecer. O dia tinha sido quente e agora a chuva forte ameniza essa situação, trazendo o frio.
Julieta se lembrou como foi corajosa em caminhar sozinha por aquela rua. O escuro sempre foi algo que a deixou bem e a atraiu, porém nunca gostava de andar sozinha, quanto mais à noite. Tinha um tímido sorriso nos lábios e um olhar intenso por ter conseguido fazer isso.
Não sabe o que aconteceu para conseguir, só sabe o que deve saber. O resto ficou nas entrelinhas e talvez ela nunca possa entender. Na realidade, ela não sabe, mas não precisa ficar tentando compreender o que lhe aconteceu. Só precisa deixar-se levar pela a tímida alegria que talvez pudesse começar a lhe invadir.
Estava triste até aquele momento e como o seu humor poderia melhorar num passe de mágica só por ter tido uma atitude irresponsável de andar pela estrada em altas horas da madrugada? Na verdade, o que significava mesmo era o que se passava por trás disso.
E então, embalada por sua xícara de chocolate quente e pela chuva que caía lá fora, Julieta entendeu que tinha superado um medo que há muito tempo a incomodava. E isso foi o significado que se passou por trás da louca atitude que havia tomado.

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