A cronologia do amor.

Verônica é uma mulher determinada, madura e que se tornou uma executiva bem sucedida. Os fatores que a influenciaram para que se tornasse assim, apareceram na adolescência, quando teve várias desilusões amorosas. O fato de saber que com o único rapaz que lhe amou verdadeiramente, ela não foi capaz de lhe dar a mínima atenção e brincou com seus sentimentos. Por medo dele brincar com os dela. Até hoje se arrepende, mas não gosta de pensar nisso, pois como se tornou uma mulher independente, acha que todos os homens precisam ficar aos seus pés. Mesmo que há muito tempo ela não tenha um relacionamento sério.

Certo dia, ela teve que fazer uma viagem de negócios à Suíça. Adora viajar e foi de bom grado. Chegou ao avião e sentou-se em uma poltrona bem confortável, pegando em sua bolsa algumas revistas que trazia consigo. Ficou lendo e perdeu a noção das horas e a noção do que se passava ao seu redor. Não percebeu quando um belo rapaz, de feições delicadas, com olhos claros e cabelos da mesma cor sentou-se ao seu lado. Era alto e elegante. Afinal, não se podia negar que os longos cabelos ruivos e os olhos claros de Verônica atraíam olhares onde passava. Mas ao contrário daquele homem, ela nem percebeu a pessoa que havia sentado ao seu lado, pois pegou no sono logo após ler algumas revistas.

Depois de algumas horas, Verônica finalmente acordou e se deu conta da pessoa que havia sentado ao seu lado. Sabia ser discreta. E dessa maneira, observou aquele misterioso e lindo homem. Ele era atraente. Mas homens atraentes eram o que era mais encontrava no mundo em que vivia. Havia se cansado disso e, por esse motivo, não se relacionava seriamente com alguém há muito tempo. Cansada de estar sentada ao lado de um alguém que ao mesmo tempo lhe interessava e era misterioso, resolveu fazer algum contato, e perguntou-lhe:

— Olá, desculpe… Meu nome é Verônica e gostaria de saber quem você é. Afinal, estamos sentados um ao lado do outro.

O homem então a fitou, respondendo-lhe num tom de voz descontraído:

— E por que você precisa saber o meu nome? Finja que eu também não sei o seu. Vamos apenas conversar, tentar nos conhecer. Sem apresentações. Fugir do padrão.

Verônica, ao ouvir essas palavras, ficou sem reação e sentiu-se embaraçada para dar-lhe uma resposta clara e sensata, porém aceitou o desafio que esse misterioso rapaz lhe havia proposto. Conversaram e aos poucos ela foi perdendo um pouco o receio de mostrar-se tanto para um desconhecido. Soube seus gostos e sobre sua vida atualmente e contou-lhe coisas sobre sua vida também, indo um pouco mais a diante e comentando em como se sentia infeliz amorosamente, afinal, algo naquele homem inspirava confiança e proteção. Mas era loucura se sentir assim, se ela nem ao menos o conhecia! Não sabia seu nome, nem o que tinha sido no passado. Só o que era agora.

Ao chegar à Suíça, ambos tomaram caminhos diferentes. Verônica foi, então, realizar os objetivos da viagem. Surpreendeu-se quando, no último dia de estadia na capital do país, encontrou o belo homem desconhecido em uma Avenida da cidade. Tentou passar despercebida por ele, mas se sentia atraída e sem perceber, estava andando em sua direção. Como se ela tivesse perdido o controle do seu corpo e das suas atitudes. Esse rapaz lhe inspirava uma calma sem igual.

Surpreendendo-a novamente, ele a convidou para tomar um chocolate quente, já que suas estadias em Zurique acabavam no dia seguinte. Lá, ele a encantou com sua conversa e suas boas maneiras. Como era inteligente e adorável aquele homem. Quem seria ele? Essa era uma pergunta que lhe atormentara nas últimas noites. Seria burrice negar que ele não a encantou. Ele, como muitos não mexiam, fez com que Verônica despertasse para o amor novamente. O mistério a atraiu.

Aquele desconhecido, o mesmo que lhe pagou um chocolate quente, disse que tinha algo a lhe confessar. E assim o fez. Contou-lhe a verdade e Verônica olhava boquiaberta para ele. Não entendia, não acreditava. O que ela não sabia e ele tinha lhe contado, era que estava ao lado do único cara que realmente a amou na vida. Pierre era o tal desconhecido e misterioso homem. E Pierre havia sido o rapaz que a amara em sua adolescência.

Ela reagiu eufórica e ao mesmo tempo se sentia em meio a um caos interno. Como imaginaria que ele se tornaria um homem tão sedutor e atraente? Além do mais, ele era tão inteligente. Mas saiu correndo, sem se despedir, como se estivesse fugindo de algo. No dia seguinte estava indo até o aeroporto quando encontrou novamente Pierre. Ele a fitou com curiosidade e ela sabia que teria que encará-lo, pois tinham coisas a tratar. Então, com um pouco de vergonha e nervosismo em sua fala, mas sem perder o tom descontraído, aquele sedutor homem parou à sua frente e falou:

— Verônica, eu não aparecerei com flores ou lhe farei uma linda serenata, pois acho que só os meus sinceros sentimentos e sinceras palavras serão suficientes para mostrar o que sinto.

Então, ele lhe contou que havia acompanhado pelos jornais, já que ela tinha se tornado uma mulher importante, tudo sobre sua vida. Deixou em mistério como descobriu detalhes da viagem, mas fora isso não lhe escondeu nada. Explicou-lhe que quando amamos alguém – não importa o que tempo que passe – a chama desse amor fica dentro de nós esperando uma oportunidade para acender-se novamente. A chama do amor que ele sentia por ela, apesar de todo o sofrimento que teve, novamente tinha sido acessa. E ela sabia que, algo dentro de si havia mudado. Algo nele a atraía muito mais do que há anos atrás. Verônica sabia que quando voltasse poderia tentar sua felicidade. Poderia, finalmente, dar valor a quem lhe ama e aprender a amar alguém. Do jeito dela. Do jeito deles. Sem romantismo demais. Sem romantismo de menos.

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