Encontro marcado.

‘’Conforme os dias passam, as pessoas percebem que estão perto de alguém que não os faz tão bem assim, ao mesmo tempo em que estão muito longe de quem os faz ou os faria bem de uma maneira muito intensa. ‘’

Fora isso que Sally tinha pensado durante a sua tarde inteira. Ah, deixe-me apresentar a personagem dessa história: ela é uma moça que trabalha em um lugar muito agitado e estuda, anda todos os dias com seus livros para lá e para cá. Livros esses que não mais são os que ela tanto adorava devorar ler, mas sim os que a faculdade a obriga ler e entender. Naquele dia ela estava muito cansada, mas feliz porque não precisaria ir para faculdade, afinal estava de férias. Depois de uma semana cheia, nada melhor do que ir descansar em seu quarto.
Chovia forte naquele fim de tarde. O expediente daquela moça já tinha terminado e ela arrumava suas coisas para poder ir embora.  Quando enfim colocou o pé na rua, observou aquela chuva tremenda (trabalhava num lugar em que mal conseguia olhar quando chovia ou fazia sol) e tratou de rapidamente abrir um guarda-chuva, pois logo o seu ônibus passaria e ela não queria perdê-lo.
Andava rapidamente até o ponto de ônibus, sempre distraída, sempre fora assim. No meio do caminho esbarrou em alguém, ou esse alguém esbarrou nela, não soube muito bem diferenciar o que aconteceu. Seus livros caíram e por pouco não ficaram completamente estragados. Não ficaram, pois o cara que esbarrou nela, como forma de não deixá-la tão irritada por ter feito perder seu ônibus, rapidamente pegou os livros dela e foi para debaixo do telhado de uma loja, onde lá poderia ficar sem se molhar. Sally foi junto, afinal seus livros estavam com ele e ela já tinha perdido seu ônibus mesmo… O próximo demoraria a passar por ali. Mas, deixe-me apresentar o outro personagem dessa história. Jack. Jack era um cara atraente, que trabalhava muito e sempre passava por ali, mas nunca tinha visto Sally. Ela também nunca tinha o visto e se pode dizer que a forma com que se conheceram foi um tanto estranha.
Certamente toda aquela situação estava embaraçosa, foi quando ela foi surpreendida com um convite para ir até à padaria, tomar um chocolate quente. Um convite um tanto tentador, ela mesmo admitiu, afinal o frio e a chuva eram presentes naquele início de noite. Já que ela havia perdido seu ônibus e estava realmente precisando se distrair, resolveu aceitar o convite e dividiu seu guarda-chuva com Jack.
Com a chuva caindo sem parar, andaram os dois um ao lado do outro, até chegarem à padaria mais próxima e Jack lhe pagar um chocolate quente. Começaram a conversar naturalmente. Sally nunca tinha rido tanto com alguém como ria com ele. Ele a fazia sorrir de uma maneira sincera e sem parecer forçado. Tinha um jeito simples que aos poucos a deixou à vontade, apesar de ser tímida com desconhecidos.
Tímida era o que ela não estava sendo mais naquela conversa. Expos suas opiniões – que nem sempre eram iguais as dele – e descobriu gostos e pensamentos em comuns. Há tempos não tinha conversas tão boas, sua vida tinha se resumido numa incessante rotina. Percebeu que não precisava ir para longe, saltar de paraquedas ou fazer algo arriscado para fugir da rotina, era só estar ao lado de pessoas certas, como aquele cara. Apesar da conversa estar ótima, ela precisava ir embora, logo seu ônibus passaria e não queria perdê-lo novamente. 
Depois que pagaram a conta, Jack a acompanhou até o ponto de ônibus. Agora chovia menos, o que fazia com que ficasse um pouco mais frio. Ela não tinha levado casaco e tremia timidamente. Logo a hora que estaria longe daquele cara chegaria e é claro que nenhum dos dois queria isso. Jack tentou pegar algum contato que fosse além do seu nome, mas ouviu apenas aquela moça pedindo sua jaqueta, pois estava morrendo de frio e dizendo para encontrá-la amanhã no mesmo ponto de ônibus, na mesma hora que se encontram hoje para que ela pudesse devolver a peça de roupa que pegou dele.
Era bem verdade que Sally gostava que as coisas acontecessem assim, naturalmente, tomando o rumo que elas devem tomar. E com todo aquele acontecimento depois de um dia irritante de trabalho, ela acabou entendendo que as pessoas que estão longe ou que não conhecemos, podem acabar ficando próximas de nós, fazendo com que nos sentimos bem com o simples fato de sua presença.

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